3 de novembro de 2009 @ 14:24:00h

Problema tamanho GG

Como uma amiga minha costuma dizer, "nós não somos gordas, somos voluptuosas". Acredito nisso pelo bem da minha auto-estima, mas o que vejo pelo setor de vestuário dá os pingos necessários de hipocrisia para que essa filosofia caia por terra ao entrar na primeira loja e vasculhar araras. Pessoas como eu que não se enquadram nos padrões de beleza ditados pelo mundo da moda, ou seja, que não são apenas "pele e osso", têm um grande problema nas mãos quando sobra dinheiro, boa vontade e bom humor para sair atrás da roupa perfeita.

Parece que as grifes, por menores que sejam, se esquecem das gordinhas. A voluptuosidade é uma verdade pra ela, e é bonito falar assim, mas a verdade dói um pouco mais quando é preciso enfrentar idas e vindas de lojas. E quanto às roupas designadas - não desenhadas - para pessoas acima do peso? Elas existem mas além de não serem nada joviais em sua grande maioria, também apelam para uma pré-padronização de tamanhos e formas nas peças, e isso se vê pelos manequins: são um pouco mais largos que os de "pele e osso", sem barriguinha saliente e quase nada de busto. Isso restringe um mercado que, graças (não) à obesidade pelo sedentarismo, poderia ser melhor trabalhado. Parece que na cabeça dos estilistas/desenhistas, é expressamente proibido ser acima do peso enquanto jovem, ou ser gordinha acima dos 40 e ter um estilo sóbrio, mas jovial. E as gordinhas que têm entre 15 e 30 anos fazem o quê, quando precisam de roupa nova?

Não dá para tentar a sorte grande o tempo todo, pois somos humanas e não temos doses cavalares de bom humor, paciência e boa vontade para aguentar atendimento falho e falta de roupas que nos sirvam nos cabides das lojas. Então, o inevitável acontece: ao encontrar uma peça de roupa M, G ou GG, seguir até o provador é perda de tempo. O segundo ato é simples mas mais demorado, que é enfrentar a fila. No que chega a nossa vez, basta tirar o dinheiro da carteira e sair saltitante com a nova aquisição e somente ao entrar em casa, arrancar a etiqueta para evitar passar pela mesma situação que constatamos tardiamente que a peça não serve tão bem quanto deveria. Pela falta de opção, apelamos para a vulgaridade ao usar roupas justérrimas por não ter tempo nem paciência para andarilhar por aí atrás de roupas que se encaixem no nosso perfil corporal. É um preço muito alto a pagar, não acha?

Dificilmente será necessária uma enquete para responder à essa pergunta. Dói no ego só de pensar que às vezes é preciso enfrentar os paninhos pendurados nos cabides que foram feitos para um determinado tipo de corpo, e não há auto-estima que resista a saga se repetindo. Isso nos desgasta. Andar de loja em loja, entrando e saindo de provadores sem parar começa a ficar massivo depois da segunda ou terceira vez, situação que agrava pelas vendedoras que opinam sem permissão, que acham que sabem de tudo e que estão tão cansadas quanto as clientes. Pior que lojas com restrição quanto ao tamanho das peças, só a má vontade das vendedoras mesmo. Não, pior é quando a roupa serve mas a costura incomoda, ou quando a roupa serve mas não cabe no conteúdo da carteira. Não! Pior mesmo é quando a roupa serve e a costura incomoda, mas cabe no bolso. O que nos resta é a parcela de culpa quando, dias depois, algo mais aprazível é encontrado nas bem malditas araras.

Com ou sem voluptuosidade, gordurinhas mesmo, somos mais exigentes seletivas quando o assunto é o conteúdo do nosso guarda-roupa. Queremos peças que, além de terem um bom caimento, sejam confortáveis pois precisamos de conforto - ainda que alguns gurus da moda digam que conforto e beleza não andam juntos. Com a quantidade certa do tecido certo para que tudo fique no lugar e não vulgar, poderíamos nos vestir melhor que muita "pele e osso" por aí. O problema é que esse esquecimento é inconstante: esquecem de tecido ou no comprimento, ou na barriga, ou no busto, ou nas coxas. E convenhamos... Para não faltar nada em nenhum lugar, sem apelar para a vulgaridade, nos resta entrar em estado de graça involuntariamente, e apelar para moda gestante.

E com esse pensamento, vem a ironia: quantas vezes ouvimos que as gordinhas são umas graças? De fato somos, não tenha dúvida quanto a isso, mas não gostaríamos de ter de apelar para o lado literal dessa graça quando sobra bom senso e falta pano.

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1 Comentários:

Anonymous Deboreca disse...

Oi Bibi! tava te procurando a tempos, aqui é a Déborah da equipe do Maritlarsenbr, lembra? Então, o blog anda meio abandonado e tal, queria saber se tu ainda te interessa por ele? caso sim, pensei na gente dar uma renovada nele, falar com o resto da equipe e tal...q vc acha?

8 de novembro de 2009 11:40

 

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