Sextatípica
Tudo começou um "simples" trabalho de fotografia. Droga, três trabalhos atrasados e uma tarde pra fotografar onze temas! Parece fácil, mas pega na mão uma câmera analógica, uma lente macro que pesa duas toneladas e meia, um tripé, um filme (com o ISO errado) e vai pra rua em dia de chuva. Isso resulta numa missão, além de cansativa, quase improdutiva. Custava fazer um solzinho pra não ter que gastar tanto dinheiro com táxi? Fomos ao Santa Maria Shopping para "erguer acampamento" e tentar tirar algumas fotos com luz "interna". O máximo que consegui foi decoração natalina pro teto e um senhor, que estava sentado do lado de fora do Sr. Café. Isso porque o Fabiano Dallmeyer não cooperou em ficar sentado tomando seu cafezinho. E ainda fez piada: "Se tu não achou o ponto verde em ISO 1000, é ÓBVIO que tu não vai achar em 100". Dã. Quer saber? Eu te adoro, mas vai te catar. Depois do almoço saí pra reencontrar a Ana e pegar o filme que mandei revelar. Aparentemente, pessoas se sentiram "incomodadas" com a nossa presença maquiavélica registradora no shopping e nos pediram pra parar de tirar fotos. Detalhe: sentar na cadeira do "Papai Noel" pra tirar "fotos" com câmera digital, atrapalhando o andar da carruagem pode, mas quando a situação se torna um pouco "menos sutil", não pode. Beleza de espaço publicamente privado, hein.
Eram 14h quando resolvemos nos instalar na Casa de Cultura, local de trabalho da minha mãe. Alguns minutos papeando pra esperar que Deus reclamasse do uso indevido de água pro São Pedro - e ele fechasse um pouco das torneirinhas das nuvens - e 'bora pra rua. Situação no mínimo engraçada: duas tongas com tripés dançantes que tentavam a todo custo achar o maldito ponto verde porque o céu estava nubladíssimo, e achar um pingo de luz com um filme ISO 100 é como um ser com rinite tentar achar um sorninan dentro de uma piscina de poeira. Deu pra sacar o drama, certo? Quase. Ouvimos de tudo, vimos mais um pouco. Algumas pessoas passavam olhando torto, principalmente os policiais; enquanto outras... Bem. Outras não sabem nem diferenciar uma filmadora de uma máquina fotográfica. Porque afinal, hoje é tudo compacto, tudo a mesma coisa, não? Hoje em dia, câmeras digitais fazem de tudo, menos passar café.
"Vocês estão fotografando coisas bonitas?", perguntou uma senhora. "Mais ou menos, são fotos artísticas", respondemos. Achamos que a tiazinha ia embora feliz com a resposta, mas ela não se conteve, e continou: "Deveriam fotografar o banheiro público! Só tem um cubo funcionando". Olha, falando sério, tiro o chapéu pra um ser de classe média com um pingo de higiene que se presta pra entrar naquele banheiro. Ele se encontra na praça Saldanha Marinho há belos dez anos ou mais e não pus os pés lá. Minha colega e eu nos entreolhamos e respondemos que, "infelizmente", o trabalho era mais direcionado. Bom, só faltou a dona torcer o nariz e perguntar que tipo de jornalistas nós seremos/somos/coisaqueoquevalha para nos negarmos a registrar a "podrice" de lugares públicos.
Outras duas moças passaram nos olhando como se fôssemos verdes, tivéssemos dois mil olhos cada uma, quatro braços em forma de tentáculo com trinta dedos com pontas de ventosas em cada um deles. Ah, e rastejássemos. E deixássemos um líquido ácido pelo caminho, no maior estilo do veneno da minhoca da Mongólia. Por Deus, pude ver as duas abraçando uma árvore que estava no caminho de tanto que nos olhavam, e riam... Nos olhavam e riam. #Penaquenaoregistreiacenafeelings, e acabaram-se os 140 caracteres só nesse tópico!
Outra cena atípica deste dia chuvoso que não posso deixar passar foi a tiazona-perua-escandalosa que passou por nós, gritando para continuarmos com as filmagens. essa foi de lascar tinta do cabelo. Esclarecendo: até continuaríamos a filmar se o aparelho usado nos permitisse, pode acreditar. Sua presença certamente seria cortada na edição, não se preocupe. Agora, uma mongolice de quem estava do "lado de lá": o ex-secretário de cultura passou por nós. Como amiga do tio Zanella, resolvi bater uma foto pra usar no tema de contraste de cores, porque ele vestindo tons de cinza e preto e logo na frente vinha uma senhora negra com uma blusa nas cores preto, amarela, cinza e branco. Até o resolver estava tudo muito bem, o problema é que a cor da pele da tia que estava na frente dele fez o ponto verde evaporar junto com as minhas esperanças, mas assim que ele estabilizou eu bati a foto e... Percebi que a velocidade de abertura do diafragma não coincidiu com o momento a ser captado. Sabe o que eu fiz? Me afastei e resolvi olhar a foto recém batida no visor LCD da minha imaginação, já que a máquina podia até ser automática mas ainda era analógica. É isso mesmo, sem comentários.
Então, eis que surge o presente do dia: a pequena (literalmente) Elisabete, de 20 dias de idade. Minha colega avistou a mãe da bebê e comentou sobre a beleza da guria, que deveria ter, no máximo, uns 20 anos de idade. Eu já havia percebido sua presença nas redondezas, mas não prestei atenção até aquele momento. Bati duas fotos de longe com a Sigma e me senti mal, bem mal. Fui até ela e puxei conversa, perguntei a idade dela, quantos meses a criança tinha e se podia fotografá-las. Ao contrário do que se pensa, a Lizandra não posou pra foto. Ela ficou ali, paradinha, no auge da timidez dos seus 15 anos sem esboçar nenhum sorriso. O marido chegou perto e eu perguntei ao patriarca da pequena família se eu podia mesmo bater algumas fotos. "Desde que tu não leve prum saravá, por mim tudo bem", respondeu ele. Não me contive e retruquei, enquanto caçava o tal pontinho do lado direito do visor: "Não, é só pra um trabalho da faculdade mesmo". Não contente com os ares tímidos, perguntei duas ou três vezes qual das duas ia sorrir primeiro, a mãe ou a filha. Na hora, Lizandra sorriu.
Internas dentro da Casa de Cultura no EMAET, na sala da mãe, no piano (com direito a mão da mãe sobre as teclas), piadinhas com o primo Benaduce, correria pra revelar as fotos, montagem do trabalho e um mutirão atrás da gente e do equipamento da faculdade. Detalhe: era a primeira vez que retirávamos material sem o professor estar junto, e não fomos avisadas que o equipamento precisava voltar antes do meio-dia pro campus. Fuzoê danado, post pra um dia de menos sono.
Lição um: comprar uma câmera analógica automática pros próximos trabalhos, e um tripé. Nunca se sabe o dia de amanhã. Lição dois: leve sempre o celular. Esqueceu em casa? Volte para pegar. Terceira e última, mas não menos importante: o sorriso da Lizandra valeu por dois. As fotos ficaram lindas.
Fobia I - mariposas & derivados
A última crônica da Maíra Viana me fez pensar nas minhas fobias, de novo. De novo porque sábado esse pensamento me atacou duas vezes em horários diferentes, uma vez no domingo e duas hoje. Sinceramente, poderia ter vivido meus dias tranquilamente sem pensar a respeito. Se eu ainda jogasse RPG, a incitação de medo que essas criaturinhas me causam seria de nível 3, já que no nível 4 a pessoa se borra e no 5 é capaz de pular de uma janela se a fobia é de formigas, por exemplo. Não sou tão extremista mas também não fujo muito disso.
Sábado estava marcado para termos aula prática de fotografia, mas julguei que os planos mudariam graças ao tempo fechado e os filmes de ISO 100 que o professor sempre nos pede para comprar. Mas quando cheguei na faculdade com a minha colega (de aula e apartamento) e fomos avisadas pelos outros colegas que teríamos sim aula prática, não pude deixar de imaginar as câmeras pretas fofinhas usando capas e guarda-chuvas coloridos no melhor estilo jardim de "Alice No País das Maravilhas"! Tal cena me pareceu bem menos absurda naquele momento do que agora, mas é melhor seguir adiante do que perder a linha do pensamento.
Fomos à Gare da estação férrea. Da última vez que fui lá, o lugar não parecia tão... Enferrujado. Contado que fazem uns 20 anos desde a última vez, acho que era o mínimo que eu podia esperar. Nossa missão, como possíveis futuros fotógrafos, era fotografar. Pura e simplesmente apontar, regular o maldito ponto verde, disparar, avançar. Ah, e montar os tripés - que quase ganharam a batalha - e sair andando com eles pela plataforma afora. Essa briga eles venceram, sem sombra de dúvidas. Estou falando por experiência e não adianta me contrariar, não foi o seu dedinho esmagados pela união das perninhas do mal. Lá pela oitava foto que o professor querido resolve me lembrar da existência da brincadeira de esconde-esconde com o tal pontinho verde, até então já tinham ido umas oito fotos bem à moda louco. É que apontar e clicar soa bem mais divertido do que ficar girando botãozinho pra abertura do diafragma e girando lente Sigma dura pra caralho de trabalhar (com o perdão do palavrão mal empregado).
Apontei e cliquei, várias e várias vezes, principalmente os cachorros. Os cuscos da Gare são os vira-latas mais legais da cidade, fora a ilustríssima e intelectual Gorda - também conhecida por Batata Doce - que é figurinha carimbada nos eventos abertos da cidade. Onde tem barulho, ela estará por perto. Se não estiver, passa pelo Calçadão, dá uma procurada na sombra e faz carinho na barriga dela com o pé. Ela vive pra isso, a pequena notável. Enfim, onde eu estava mesmo? Ah é. Os cuscos. Tinha um colega meu que, de primeira, partiu pro mais difícil: fotografar pássaros. Confesso que lá pro final também tentei, mas o bicho foi mais rápido do que a brincadeira de esconde-esconde com o ponto verde.
Distraída com os animais de quatro-patas-e-um-rabo, acabei perdendo dois trens que passaram. Por algum estranho motivo, fiquei com a impressão que o meu professor achou que eu tivesse a capacidade (?!) de ser atropelada por um trem (!?!?!?). Eu estava parada do outro lado dos vagões (do que faz parte do monumento e, consequentemente, está parado) e ele foi me procurar. Quando me achou, me olhou nos olhos com uma cara de aliviado que chegou a dar dó (e muita muita muita vontade de rir, mas culpo a falta de cafeína por isso) e disse que ficou com medo por mim porque eu não estava junto com os outros. Gargalhei por dentro e voltei minha concentração ao Esfregão, cachorro que estava tão concentrado quanto eu nele, mas na roda de um trem.
O Esfregão, ao contrário da Gorda e de seus parceiros de estação, não é muito dado aos outros humanos. O humano deele basta pra ele, e só. Ele não gosta que o chamem, que passem a mão. Respeitei o limite dele e ele respeitou o meu, um ficou observando o outro por longos dez minutos. Ele só não rolou e se fingiu de morto porque não deu tempo, mas tenho a impressão que as fotos dele ficaram muito boas. Ele ajuda, faz carinha de cachorro pidão e tal. Aí a Ana, minha colega², começou a tirar sarro que eu estava perseguindo os cachorros da Gare. E isso me deu uma boa ideia: brincar de paparazzi (crianças, não tentem isso em casa)! Brincadeira frustrada no primeiro instante: Esfregão deve ter entendido os planos e estrategicamente parou fora do raio da câmera para urinar no pilar. Ou eu estava com tanto sono que nem me prestei para procurar, enfim... Dá no mesmo porque perdi o emprego de stalker de celebridades antes mesmo de conseguir trabalhar com isso.
Resolvi procurar outra coisa pra fotografar e quando me avisaram que haviam ratos, morcegos mortos e um cara dormindo no último vagão (teria me rendido uma bela foto, mas sou muito cagona - pelos animais, não pelo cara), resolvi procurar outra coisa "igualmente nojenta" para fotografar. Olhei pra Ana (foi um olhar analítico muito sério, sem pretensão nenhuma de piadae só agora me dei conta disso), olhei pro chão... E de repente, naquele canto remoto dos meus olhos, me deparo com uma coisinha voando, meio bege e constrastando com aquele céu cinza e cheio de pinguinhos.
Certamente devo ter berrado alguma coisa, já que essas bichas asquerosas têm mania de ficar muito próximas a mim. Parece que todos os bichos voadores invertebrados perdem a noção do perigo quando me enxergam. Tenho a impressão que nasci dividindo genes com aquelas lâmpadas azuis usadas para matar mosca, sabe? Porque todo e qualquer inseto é atraído em direção àquela luz. Ana fez um comentário que aquilo que eu estava olhando não era um bicho e o professor, coitado, me olhou com a maior cara de ponto de interrogação da cidade naquele momento pós-surto insético e fez o inoportuno comentário:
- Tem uma bruxa ali, se ainda quiser fotografar animais.
Acho que naquele momento fiquei tão inconsequente quanto, na viagem para Bento Gonçalves em Setembro do ano passado, quase me atirei na frente do trem para bater uma foto por ser monga e esquecer da existência do zoom, tamanha era a mongolice adrenalina. E foi justamente o que aconteceu: fui aproximando, aproximando, aproximando a câmera... E claro que o ponto verde não vinha nunca e eu ali, pulando por dentro, com medo que aquele monstro do tamanho da palma da minha mão virasse um alien de "AVP:R" e soltasse líquidos corrosivos no meu cérebro e me comesse viva.
Outra vez, uns quatro anos atrás, resolvi perseguir uma borboleta muito bonitinha em volta da piscina da casa de uma amiga minha. Constatei, depois dessa aventura, que correr em volta de piscina não é legal. Correr em volta de piscina depois de sair da mesma é menos legal ainda. Correr em volta de piscina depois de sair da mesma só para tentar superar um medo é burrice e ponto final.
No mesmo dia, me empenhei e encostei numa borboleta. Como bem previ, parecia que tinham jogado líquido corrosivo na minha mão e que ela, a borboletinha que mal cobriria o dedo do meio do meu pé de tão pequena que era, ia esperar eu me liquefazer para depois pousar calmamente ao lado de minha poça e fazer sua refeição. Aí eu inventei uma regra maluca que, pra isso não acontecer, eu precisava lavar minha mão. Devo ter passado uns cinco minutos bolinando o sabonete e mais cinco bolinando um paninho com álcool pra me certificar que não viraria refeição de uma borboletinha de araque.
Como surgiu tamanho trauma? Quando eu era pequena, sofria muito com alucinações quando tinha febre e, normalmente, envolviam insetos. Numa dessas vezes eu alucinei que estava sendo engolida por um demônio com cara de mariposa. No mesmo dia, alucinei que matava uma borboleta pequena e ela se transformava em tantas outras, formando a mesma imagem. Taí, prato cheio pra psicólogos. Marcadores: fobia, vida
Vem com a música
 “Hoje em dia, ninguém mais compra CD”, disse Tuba Caruso, baterista da banda gaúcha Faichecleres, que sempre disponibilizou sua obra gratuitamente nas redes de relacionamentos. É a mais pura realidade: se 20 anos atrás a indústria fonográfica não sabia seu futuro com o lançamento do Compact Disc (CD), hoje a história se repete com os aparelhos de MP3 e iPods espalhados pelo mundo. Mas será que não é muita tempestade em um copo d’água quase vazio?
Dez anos atrás, com o surgimento do Napster, foi uma revolução no melhor e no pior sentido da palavra. A palavra “download” entrou de vez no vocabulário mundial e as grandes gravadoras começaram a sentir o peso desta nova era. O artista finalmente ganhou autonomia de sua obra e pode compartilhá-la com os fãs, garantindo assim um público maior nos shows. Como Tuba disse “depois que a internet chegou, o músico ficou bem mais autônomo. Com a internet as gravadoras começaram a perder o poder, então, a gente ‘bota’ na internet, a galera conhece, escuta, grava, passa para os amigos, e onde a gente ganha dinheiro é no show”.
Em virtude dessa nova forma de divulgação de músicas, surgiu o MPB (Música Para Baixar), um movimento que preza o direito de compartilhamento de acervos musicais. Com o apoio de artistas consagrados como Leoni e a trupe do Teatro Mágico, o movimento defende os direitos autorais e acredita que a indústria fonográfica está em crise. Crise que, para alguns, é a melhor de todos os tempos pois nenhum músico ou banda teve tanta facilidade de mostrar seu trabalho. Quem quiser saber mais sobre o MPB, acesse: http://musicaparabaixar.org.br/.
Texto composto em parceria com Ana Rauber para o jornal mural "Babel".
Marcadores: babel, faculdade
Problema tamanho GG
Como uma amiga minha costuma dizer, "nós não somos gordas, somos voluptuosas". Acredito nisso pelo bem da minha auto-estima, mas o que vejo pelo setor de vestuário dá os pingos necessários de hipocrisia para que essa filosofia caia por terra ao entrar na primeira loja e vasculhar araras. Pessoas como eu que não se enquadram nos padrões de beleza ditados pelo mundo da moda, ou seja, que não são apenas "pele e osso", têm um grande problema nas mãos quando sobra dinheiro, boa vontade e bom humor para sair atrás da roupa perfeita.
Parece que as grifes, por menores que sejam, se esquecem das gordinhas. A voluptuosidade é uma verdade pra ela, e é bonito falar assim, mas a verdade dói um pouco mais quando é preciso enfrentar idas e vindas de lojas. E quanto às roupas designadas - não desenhadas - para pessoas acima do peso? Elas existem mas além de não serem nada joviais em sua grande maioria, também apelam para uma pré-padronização de tamanhos e formas nas peças, e isso se vê pelos manequins: são um pouco mais largos que os de "pele e osso", sem barriguinha saliente e quase nada de busto. Isso restringe um mercado que, graças (não) à obesidade pelo sedentarismo, poderia ser melhor trabalhado. Parece que na cabeça dos estilistas/desenhistas, é expressamente proibido ser acima do peso enquanto jovem, ou ser gordinha acima dos 40 e ter um estilo sóbrio, mas jovial. E as gordinhas que têm entre 15 e 30 anos fazem o quê, quando precisam de roupa nova?
Não dá para tentar a sorte grande o tempo todo, pois somos humanas e não temos doses cavalares de bom humor, paciência e boa vontade para aguentar atendimento falho e falta de roupas que nos sirvam nos cabides das lojas. Então, o inevitável acontece: ao encontrar uma peça de roupa M, G ou GG, seguir até o provador é perda de tempo. O segundo ato é simples mas mais demorado, que é enfrentar a fila. No que chega a nossa vez, basta tirar o dinheiro da carteira e sair saltitante com a nova aquisição e somente ao entrar em casa, arrancar a etiqueta para evitar passar pela mesma situação que constatamos tardiamente que a peça não serve tão bem quanto deveria. Pela falta de opção, apelamos para a vulgaridade ao usar roupas justérrimas por não ter tempo nem paciência para andarilhar por aí atrás de roupas que se encaixem no nosso perfil corporal. É um preço muito alto a pagar, não acha?
Dificilmente será necessária uma enquete para responder à essa pergunta. Dói no ego só de pensar que às vezes é preciso enfrentar os paninhos pendurados nos cabides que foram feitos para um determinado tipo de corpo, e não há auto-estima que resista a saga se repetindo. Isso nos desgasta. Andar de loja em loja, entrando e saindo de provadores sem parar começa a ficar massivo depois da segunda ou terceira vez, situação que agrava pelas vendedoras que opinam sem permissão, que acham que sabem de tudo e que estão tão cansadas quanto as clientes. Pior que lojas com restrição quanto ao tamanho das peças, só a má vontade das vendedoras mesmo. Não, pior é quando a roupa serve mas a costura incomoda, ou quando a roupa serve mas não cabe no conteúdo da carteira. Não! Pior mesmo é quando a roupa serve e a costura incomoda, mas cabe no bolso. O que nos resta é a parcela de culpa quando, dias depois, algo mais aprazível é encontrado nas bem malditas araras.
Com ou sem voluptuosidade, gordurinhas mesmo, somos mais exigentes seletivas quando o assunto é o conteúdo do nosso guarda-roupa. Queremos peças que, além de terem um bom caimento, sejam confortáveis pois precisamos de conforto - ainda que alguns gurus da moda digam que conforto e beleza não andam juntos. Com a quantidade certa do tecido certo para que tudo fique no lugar e não vulgar, poderíamos nos vestir melhor que muita "pele e osso" por aí. O problema é que esse esquecimento é inconstante: esquecem de tecido ou no comprimento, ou na barriga, ou no busto, ou nas coxas. E convenhamos... Para não faltar nada em nenhum lugar, sem apelar para a vulgaridade, nos resta entrar em estado de graça involuntariamente, e apelar para moda gestante.
E com esse pensamento, vem a ironia: quantas vezes ouvimos que as gordinhas são umas graças? De fato somos, não tenha dúvida quanto a isso, mas não gostaríamos de ter de apelar para o lado literal dessa graça quando sobra bom senso e falta pano.
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Debut rock 'n roll
Ler o prompter parece ser de uma facilidade enorme. Tu pára na frente da câmera e só tem que ler o que correm no computador da sala de edição. Não tem nenhum panaca segurando cartazinho com grafia ilegivel, tremendo mais que vara de salgueiro em dia de vendaval, terminando com a tua carreira televisiva ao forçar improvisos por não conseguir ler. Mas, por experiência recente, confesso ser bem mais divertido ficar lá atrás, com a Nikon D40 do coleguinha nas mãos, batendo fotos sem parar enquanto os apresentadores enrolam suas respectivas línguas num texto simplíssimo, causando risadinhas e deboches bem humorados entre eles mesmos, os operadores das câmeras e a equipe de produção do programa.
Então a garganta da apresentadora oficial resolve dar pití justo no mesmo dia que a produção está enlouquecida atrás de ideias para tapar o furo de uma banda que desmarcou, bem dizer, sentada em cima do relógio de tão em cima da hora. Preparar um programa do nada e de última hora não é pra qualquer um, e quarta-feira passada saí colhendo os louros e morrendo de orgulho dos colegas da equipe. Mas aí começou o dilema: o cara vai apresentar sozinho? Não, só que a outra apresentadora tem compromisso. Enquanto as notícias vão caindo dentro do editor de texto, um sonzinho que passou desapercebido pela minha censura cerebral se faz audível:
- Eu vou contigo.
Muito bem, conseguimos concretizar a ideia e finalizar tudo em tempo para gravar. Que beleza! Como não houveram protestos quanto à minha participação inusitada in camera além da produção, pensei com os meus botões: "não deve ser tão difícil, já conheço o texto então não preciso perder tempo repassando. É só manter o foco e prestar atenção no prompter que tiro isso de letra!".
O tal do prompter e o foco juntos é um problema, a falta de noção quanto ao enquadramento nem se fala e o fio do microfone de lapela só serve pra ficar de figurante. Só me dei conta dos estorvos depois que passei por eles, eu acho. 'Bora ver o resultado? O Studio Rock vai ao ar amanhã ao meio-dia pelo canal 15 da NET (em Santa Maria/RS somente), e reprisa às 19h e a 0h. Quem quiser conferir via internet nos mesmo horários, clica aqui. Marcadores: cotidiano, studio rock
O mito da cerca elétrica
Sábado era pra ser um dia maravilhoso: noite bem dormida, acordando na hora certa para chegar em tempo à aula prática de fotografia, namorado sonolento do lado me enchendo de beijinhos mais sonolentos ainda de bom dia e feliz 2.4 - e sendo retribuido, claro - e mais à noite, festerê com os chegados que dessem as caras... Bah, um belo sinônimo próximo de perfeição! Acontece que abri a janela e pairava sobre a cidade aquela nuvem cinza, e por mais que eu ame dias nublados, sábado em especial foi meio que... Um choque. Literalmente.
Faculdade? Ok. Sobrevivi, mas com aquela sensação de que algo daria errado. Apesar do péssimo tempo para fotografar, tudo fluiu tranquilo (e das 28 fotos batidas, poucas se salvaram) até a volta pra casa. Chuvisco de molhar bobo, bem cafajeste mesmo. O trajeto da faculdade até minha casa é curto, só é preciso atravessar duas ruas, mas foi o suficiente pra olhar pra minha roupa ao chegar na porta do prédio e dizer: tô parecendo um pintinho molhado. Naquele momento o que eu mais queria era um banho quente, meu secador, minha chapinha, roupa sequinha, um kebab e cair na cama, planos e sonhos que ruíram assim, no primeiro toque do celular.
Era minha mãe, perguntando se eu tinha esquecido do almoço. Eu disse que não e que logo logo eu estaria chegando ao restaurante, o que era uma baita mentira dado meu estado calamitoso. Tentei convencê-la de cancelar a função, mas falhei outra vez. E ela repetiu duas vezes, de forma audível, que eu teria de ir a pé porque ela não tinha dinheiro sobrando para pagar meu táxi. Se não fosse pela chuva desorientada, subir três quadras via expresso canelinha nem seria problema! Não seria problema nem caminhar na chuva se isso não resultasse em entrar no recinto completamente encharcada. Fui me arrumar e assim que fiquei pronta, saí porta afora antes que a louca da minha progenitora resolvesse explodir meu celular de tanto que ligava e tinha a chamada ignorada no segundo toque.
Não lembro porque diabos tive que voltar ao apartamento depois de descer as escadas e dar tchauzinho pro sensor de movimento do hall, o que acabou acionando o alarme nada discreto do prédio. Voltei, desativei o gritão e subi para pegar a porcaria da sombrinha. E aquela vozinha dizendo "vai dar merda" desde que abri a persiana não me largava de jeito nenhum, e a cada degrau e cada botãozinho apertado do painel eu contava os segundos para me livrar dela sequer em plena consciência disso.
Ao chegar no portão, percebi que não tinha apertado o maldito botãozinho vermelho do interruptor para abri-lo. Quando apoiei a sombrinha no ombro, com o gancho "estrategicamente" enganchado no antebraço, me veio aquela sensação que percorreu da ponta dos dedos até o coração, causando um pulo enorme e involuntário para trás. Maldito botão do portão, maldita chave virada, maldito malabares com a sombrinha quase do tamanho da minha perna.
Pronto, a merda estava feita: descobri que a cerca elétrica nas grades do prédio não é para bonito e nem para espantar ladrãozinho que resolve bancar o esperto. É, na verdade, repelente de gente idiota, tipo eu. Após o ocorrido o dia foi tranquilo, e até São Pedro desligou um pouco o chuveiro! Ponto positivo? Não precisei esperar a sensação ruim passar, aconteceu e ponto. Descarga elétrica é tudo nessa vida! Vou enfiar a sombrinha ali mais vezes, tanto para por a cerca em uso quanto para exorcizar o desnecessário. Marcadores: cotidiano
Um bazar pra lá de gostoso
Recebi o flyer do bazar via orkut e meu coração partiu em mil pedaços de não poder ir - juntamente com meu estômago, mas estou certa que a carteira agradece. Dia 24/10, sábado (meu aniversário), das 15h às 18h rola na lojinha Pó de Estrela um bazar delicioso com degustação de mini-cupcakes das gurias do Lady Cupcake e as gurias da loja de roupas e acessórios Reino Gato.
Pó de Estrela é uma loja de objetos de decoração e acessórios de moda lindos que fazem minhas mãos coçarem constantemente. Sou suspeita a falar mesmo sem ter comprado lá, mas todos os artigos do site são de babar de lindos e de precinho camarada. Vale muito a pena conferir!
Lady Cupcake é uma "fábrica" deliciosa de cupcakes (que eu gosto de chamar de muffins bonitinhos) criada pela jornalista e chef de cozinha Marcela Jung e da publicitária e coolhunter Cristina Hentschke.
Reino Gato é uma loja de roupas e acessórios ma-ra-vi-lho-sa que reverte parte de seus lucros para ações em prol dos nossos (nem sempre) pequenos amigos de quatro patas e um rabo.
Estou me remoeeeeendo por não ter como ir! Então ficadica pra quem estiver por Porto Alegre. ;) Marcadores: acessórios, animais, bazar, cupcakes, decoração, lady cupcake, moda, porto alegre, pó de estrela, reino gato
A volta da smashing pumpkins
Todo mundo sabe que o Smashing Pumpkins não é a mesma banda sem James Iha, mas ainda assim Billy Corgan revelou recentemente que irá distribuir a coleção de 44 canções inéditas da banda gratuitamente via internet. Dada a atual situação da indústria fonográfica, essa é uma boa jogada de marketing para a volta de uma das melhores bandas dos anos '90.
A boa (melhor) notícia (para os colecionadores de compactos) é que as músicas serão lançadas em 11 EPs, com quatro músicas cada. Corgan declarou que "[eu acho que] o tamanho e o formato dos álbuns tradicionais está se modificando para algo além neste momento". Ainda segundo o líder da banda, as quatro primeiras músicas estão enraizadas na psicodelia marcante do SP mas ainda soando bem modernas, "como os Pumpkins que eu quero escutar".
Agora resta saber se o novo/velho som do Smashing Pumpkins cairá nas graças do mainstream novamente, porque Zwan foi bom, mas não o suficiente. E fica a pergunta: será que está MESMO lançada a modinha de bandas retornando das cinzas? Fãs de Oasis, fiquem de dedos cruzados.
Fonte: Cifra Club NewsMarcadores: música, smashing pumpkins
Traumatizei
Sempre achei que seria o máximo morar sozinha, e não estava de todo errada. Divido apartamento com duas gurias super legais desde Agosto e estamos nos virando muito bem, obrigada. Temos nossos probleminhas é claro, mas nada que não seja contornável. Justamente por ter como resolver, desde que me mudei nunca cogitei a possibilidade de voltar para casa, pelo menos até a madrugada de sábado pra domingo.
Vou dizer, não é nada agradável estar deitada confortavelmente ao lado do namorado com o cachorro aos pés da cama (no chão, na cama dele), naquele estágio do sono que se melhorar estrada e, de repente, ser acordada pela amiga batendo na porta desesperadamente às 03h e sendo incoerente. Bom, ela estava sendo coerente, o problema é que demorei para pegar no tranco. Quando consegui entender o desespero da guria, entrei em pânico. Dei um pulo da cama e saí correndo apartamento afora, checando todas as janelas. Acho que não consegui chorar por causa do nível de adrenalina, mas confesso que quase corri para pegar uma faca na cozinha assim que o pânico chegou em 100%.
Me acalmei um pouco (piada) e interfonei pro apartamento da síndica para descobrir o que estava acontecendo. O marido dela pediu que fechássemos todas a grades e colocássemos as chaves longe, e que as luzes fossem desligadas. Juro que devo ter ficado com uma linda cara de "?", porque estava tudo chaveado e a única luz ligada era a da sacada para caso do meu cachorro decidir fazer as necessidades de madrugada. Quando falei que era impossível ser a nossa sacada da frente, ele disse que então deveria ser do andar de cima e, pra piorar, a guria estava viajando.
Fechamos e desligamos tudo, e cada um voltou pro seu canto da melhor maneira que conseguiu. Não deu para parar de pensar no que aconteceu até agora, sei que estou acordada por medo de dormir e acontecer de novo. Para quem nunca passou por uma coisa assim, fica meu aviso de amiga: é a pior sensação do mundo e tudo o que eu queria era o colo da minha mãe, mas ela não podia ficar sabendo o que estava havendo em hipótese alguma. Afinal, o que diabos estava acontecendo?
Um cara estava assaltando a casa ao lado. Destelhou e roubou um cortador de grama, e acabou fugindo pela lateral do prédio, única área sem cerca elétrica. Marcadores: pessoal
Se não 'guenta, por quê veio?
O Disney Channel transmitiu um ano atrás um show do Jonas Brothers. Apesar de ter assistido somente à parte final, foi suficiente para pescar uma afinação perfeita dos caras nas últimas três músicas. Isso seria algo bom se não fosse por um desleixado playback que, ao meu ver, eles não tiveram o mínimo problema em disfarçar: Nick e Joe se perderam na letra de duas músicas mas suas vozes saíram como se nada tivesse acontecido, e Kevin riu e não deu pra ouvir distorção nenhuma na voza música mas a voz dele saiu como se nada tivesse acontecido. Essa história de playback não deveria ter me surpreendido tanto já que o mundo pop atual sobrevive de Miley Cyrus, Vanessa Hudgens e Ashley Tisdale, assim como já sobreviveu de Backstreet Boys, 5ive e 'N Sync (a suprema-corte do playback no final dos anos '90), certamente, foi inesperado. Eu estava recém começando a respeitar os caras como músicos e presencio um dos maiores erros que uma banda em início de carreira mundial poderia cometer, e isso não fez eles subirem no meu conceito. Tenho conhecimento da existência da banda há uns três anos e de cara reconheci que eles tinham 2/3 do necessário para serem bem sucedidos: carisma e a perseverança, só que pra mim se falta um pingo de talento, já não vale a pena tremular a bandeirinha de fã. Não que seja o caso do JB, até acho que eles têm talento mas é inegável que escondem muito bem por debaixo dos panos do playback.
Isso não se faz, jamais. Tenho pena dos fãs que pagam esperando ouvir a banda ao vivo e acabam escutando o CD que têm em casa, sendo que a única diferença é que os caras da capa do disquinho estão em cima de um palco, saracoteando feito macacos que recém saídos da jaula ao invés de cumprirem com o que pregam. Acho que fiquei tão surpresa/indignada com o que vi porque, assim como milhares de outras gurias, me criei - literalmente - ouvindo o Hanson errando acordes, letras e desafinando. É tudo bem feito, bem vivo e bem AO vivo. Por um instante comparei esse show do JB com a performance do Hanson no Grammy de '98: um grande fiasco, merecedor das críticas ruins que teve. Dez anos depois, aqueles quatro minutos e pouco que eles tremeram em cima de um palco e erraram tudo o que poderiam ter errado, tocando pra centenas de artistas veteranos (muitos da lista são influência para a banda), virou um marco na carreira do Hanson. Como fã da banda há onze anos, digo tranquilamente que nunca, repito, NUNCA ouvi um playback deles sequer, ou fiquei sabendo que eles tenham feito isso algum dia. Desacredito que alguma banda, depois do desenvolvimento dos plugs, tenha feito isso e acho o cúmulo que ainda façam isso.
Pra quem não entendeu a razão da comparação, vou explicar: o JB é muito comparados com o Hanson, tanto pelos fãs de ambas as bandas quanto pela mídia. Até dá pra levar em conta que as duas bandas são compostas por irmãos que começaram cedo na música só que enquanto JB estão na metade do caminho, Hanson já deu a volta ao mundo umas quatro vezes. Não só Hanson, qualquer outra banda/artista que tenha a mínima noção do que estão fazendo. Independente do estilo e pra felicidade de muitos, incluindo a minha, a lista é vasta e só tende a crescer, basta trabalharem do jeito certo e lutarem pelas coisas certas. Não adianta nada uma banda ter músicas no topo da parada da Billboard, dos Top 10-40-50-100, receber ótimas críticas do último álbum lançado se não tem maturidade para dar o próximo passo, que é reproduzir esse tal álbum super aclamado para os fãs que tanto esperam por isso.
Obter sucesso hoje em dia é muito fácil mas ser descartável é mais fácil ainda, só se mantém quem sabe o que está fazendo e depois de hoje não sei se os irmãos Jonas estão conscientes disso, e sinceramente não quero saber (isso significa que não quero fãs de JB jogando pedregulhos em mim via e-mail caso cruzarem com esse texto). Talvez eu esteja errada e playback faça parte do contrato deles com a Disney, para não desgastarem as vozes já que trabalham mais como atores do que como músicos. Se o JB é forçado a fazer isso por questões contratuais, não significa que as coisas estejam menos piores para a carrreira deles. É uma pena, mas lá se vai uma banda com grande potencial que só precisava trabalhar com as pessoas certas para dar realmente certo. Apesar de tudo que foi dito, espero de coração que os Jonas aprendam com os erros que ainda cometerão, com os acertos que virão e que a carreira dos caras se consolide com o tempo. Os caras são capazes e além do mais, são exemplo de boa conduta. Depois do escândalo de Amy Winehouse e Britney Spears nos anos anteriores, o mundo da música está precisando de celebridades boa-pinta para tentar pôr um pouco de ordem, mesmo que consigam fazer isso por pouco tempo. Marcadores: hanson, jonas brothers, música
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